Se Deus Quiser
Texto-base: Tiago 4:13-17
“Vós não sabeis o que sucederá amanhã. Que é a vossa vida? Sois, apenas, como neblina que aparece por um instante e logo se dissipa. Em vez disso, devíeis dizer: Se o Senhor quiser.”
“Se Deus quiser”... Eis a condição teológica de todo projeto. Certamente todos nos recordamos de nossos avós humildemente proferindo essas palavras, em tom quase solene, diante de toda e qualquer expectativa futura. Tal expressão não se trata de um mero costume antigo ou de um estado de pacata conformidade. Antes, é fruto da observância bíblica e de um entendimento humilde e cheio de fé diante da vida. O texto em estudo concilia o tema da efemeridade da existência, da fragilidade dos projetos humanos e da completa dependência que devemos nutrir com relação a Deus e aos Seus planos para nós.
Tiago retoma a literatura sapiencial (Salmos, Provérbios e Eclesiastes), revestindo com a perspectiva cristã os mais imutáveis princípios norteadores da existência humana. Nesta reflexão, ressurge um dos primeiros dilemas teológicos apresentados na Bíblia: a fugacidade e a efemeridade da vida. O livro de Gênesis nos apresenta a história de Abel, um jovem que foi brutalmente assassinado por simplesmente fazer o que era bom. Abel foi amado por seus pais e, mais ainda, por Deus — afinal, ele apresentou uma oferta agradável ao Senhor. Ele não merecia morrer, menos ainda de forma tão violenta. Justamente por isso, seu nome significa “sopro” ou “vapor”. A Bíblia é verdadeira e reflete as coisas como são, e não como idealizamos que deveriam ser. Tiago nos chama a um duro choque de realidade: assim como Abel, nós também somos um sopro, sujeitos às vicissitudes e ao imerecido.
Como já dizia Salomão, não há nada de novo debaixo do sol. O texto sobre o qual nos debruçamos inicia-se com a ilustração do desejo humano de prosperar, fazer bons negócios e enriquecer. Afinal de contas, onde está o erro em enriquecer de forma justa, empreendedora e correta? Concordemos que não há problema algum nisso. Contudo, nossas vidas não são regidas por uma mera lógica mecanicista. Somos “sopro”. Nem sempre colhemos o que plantamos — lembremo-nos de Abel. Na real dinâmica da vida, é preciso levar em conta a nossa finitude; e é justamente aí que somos remetidos a uma das maiores virtudes cristãs: a humildade.
Tudo vem de Deus; nada temos e nada somos por nós mesmos. Somos completamente dependentes da vontade divina. Verbalizando ou não um “Se Deus quiser”, o que irá acontecer é exatamente o que já está determinado nos desígnios eternos do Senhor. Quando dizemos o nosso “Se Deus quiser” de cada dia, estamos apenas professando nossa fé e nossa total dependência do Deus de nossas vidas.
Para refletir
- •Tendo por base o texto de Lucas 12:19-20, como devemos encarar o futuro?
- •Leia o Salmo 39:6-13 e reflita sobre a expressão do versículo 7: “Tu és a minha esperança”. Em quais circunstâncias você tem depositado sua esperança em Deus?
- •Tiago 4:16 nos fala que o orgulho (a jactância) é maligno. Em sua opinião, por que o orgulho é um sentimento tão perigoso para a vida de fé?





















































































